quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Os chulos e a sociedade!


Os Chulos estão neste momento sentados em um dos montes de centros comerciais que existem por este país fora.

Descontraidamente sentados escolhemos como companhia 2 Ice teas, não por termos algo contra outras marcas, mas porque não havia dinheiro para mais. Começamos a tomar atenção ao nosso redor; reparamos que à nossa frente está uma senhora que fisicamente aparenta uns quarenta anos, mas tudo nela, parece querer aparentar 18, curiosamente a idade provável da sua jovem companhia; ambas sentadas falam, do que, não sabemos e nem desconfiamos, para nós o que estava ali era uma pessoa que tentava disfarçar a sua idade, enganando o público com o seu novo visual, usando uma jovem como uma forma de dizer “olhem como a minha companhia é jovem, estaria ela aqui se eu também não fosse jovem?”, como a sociedade nos torna, como usamos o que existe à nossa volta para nos enganar.

Um pouco mais à frente, diante de um restaurante dos judeus, pelo menos é o que diz a placa, que é do género fast food, encontra-se um normal casal aos beijos. Não podemos deixar de aplaudir nas nossas mentes a originalidade do casal ou se calhar a falta de romantismo do macho, entre tantos restaurantes, porque o fast food? O romantismo acaba na carteira diz um dos chulos.

Um grupo de obesos entretanto chega, trata-se de um pai acompanhado com o seu filho, este carregado com McDonalds, curiosamente nem ficámos admirados, porque ficaríamos?

Dizemos, como sociedade, que antigamente era diferente, os valores eram preservados, e não havia rendição ao consumismo, à mera aparência, de que tanto a média vive.

Mas de quem será o problema, será que é nosso como sociedade ou nosso como indivíduos? Tantos nos falam do que está errado que deixamos de olhar pró nosso meio à procura da normalidade, limitamo-nos a encontrar aquilo que é criticável. Olhamos a senhora de quarenta anos como alguém a usar a juventude ao seu redor como forma de ela se manter jovem, porque não encaramos como alguém apenas a aconselhar uma jovem? Antigamente não teria sido assim visto como tal? O casal é criticado por não ser romântico, por poupar naqueles que é importante, mas não era o mesmo feito antigamente? Como podemos criticar o consumismo se acusamos alguém de falta de romantismo por não consumir? Eles queriam estar juntos, não seria isso o importante, não é isso que associamos ao antigamente? O pai compra McDonalds para o filho, certamente não a melhor escolha, mas ele queria passar tempo com o seu filho, não é isso o mais importante? Porque crítica a sociedade um individuo que quer passar tempo com o seu filho, que o leva a sair de casa, apenas por um simples hambúrguer? Não se fala que antigamente os pais passavam tempo com os filhos, alguém fala do que eles comiam quando juntos?

Olhamos agora para o cenário, vemos aquilo que afirmamos como sociedade como morto, algo que pertence ao passado, mas será verdade? Não estaremos nós tão obcecados com detalhes que para os nossos antepassados eram desconhecidos, que deixamos de olhar para todos os outros? Tanto não lhes tomamos atenção que achamos que morreram, que fazem parte de outra época!

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