
Para se ser pessoa, tem de se ser Humano. O Ser Humano vive em comunidades. Comunica com outros seres humanos e condiciona a sua evolução na evolução da sociedade.
Como indivíduo, cria relações com outros indivíduos. Ouve as palavras dos seus conhecidos, e discute com eles. Tudo o que caracteriza e compõe a interacção humana desenrola-se. A habituação com outros, leva-o a tornar-se amigo com uns e a desenvolver relações íntimas com outros. As palavras destes contam.
Com a habituação conforto ganha-se; passa a conhecer o outro e a ter expectativas dele.
Mas, a uniformidade não é uma característica humana numa micro-escala. Subitamente no meio, surge indivíduos que com o passar do tempo, viram-se contra os seus conhecidos. A imagem criada sobre a realidade desajusta-se; a palavra destes passa então a valer cada vez menos, e a palavra daqueles que não conhece cada vez mais. Perante a humanização do próximo, procura algo mais “divino”; no sentido menos literal da palavra. Vê naquele indivíduo desconhecido um poço de conhecimento e opiniões válidas; reconhece mais nele, do que o desconhecido reconhece em si próprio. Amigos negam a palavra de outro amigo; pais são negados pelos filhos.
Da voz do desconhecido vem o paraíso. Este, pela Universalidade da sua palavra, transforma a mentira em verdade. O indivíduo quer acreditar nele.
Subitamente a casa, conhecida do indivíduo, passa a ser a sua inimiga. A sua própria vida, conhecida por ele, é vista como indesejada. Este precisa de emigrar para juntos dos desconhecidos. Despede-se dos conhecidos com a razão e a certeza de um indomável; Todos lhe vendem a ideia da realidade; mas ninguém o pára. O paraíso lhe espera.
O indivíduo emigra para junto dos seus desconhecidos, para uma casa desconhecida. Perante uma realidade nova, procura ambientar-se. O tempo passa e os desconhecidos passam a ser conhecidos. A habituação instala-se. A vida muda; mas só para ajustar-se. Ninguém o esperava. Os sonhos passam ao domínio dos sonhos. O paraíso cai. Tudo o que lhe foi dito era uma mentira. Afinal os desconhecidos também mentem.
A realidade não aceite uma vez, é negada uma segunda vez. Ele torna-se a voz desconhecida, e em contacto com os seus conhecidos que estão na sua casa de origem, vende o paraíso. “Aqui todos os vossos sonhos se realizarão; nada vos espera onde estão”, diz ele.


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