
Um banco pode definir-se, de uma forma mais tradicional e bastante redutora, como sendo uma instituição financeira que tem como principais funções aceitar depósitos e remunerá-los (pagando ao titular do dinheiro uma taxa de juro), bem como conceder empréstimos. No entanto, actualmente é mais correcto dizer-se que um banco consiste numa máquina de fazer dinheiro para benefício de alguns privilegiados, às custas da maioria da população que trabalha uma vida inteira com o objectivo de poupar algum e para tentar ter uma vida melhor.
O ano de 2007 foi marcado ao nível do sector financeiro, pela crise do crédito hipotecário nos EUA, que como era de esperar afectou a economia mundial, particularmente o sector bancário. Mas em Portugal, este próspero país no qual existe tanto dinheiro, os cinco bancos que dominam o mercado (CGD, BCP, BES, Santander Totta e BPI) atingiram em conjunto um lucro de 2668,2 milhões de euros; e isto apesar de este ano o BCP ter registado uma queda acentuada no seu Resultado Líquido em consequência dos elevados custos da OPA sobre o BPI que acabou por não se concretizar, e da instabilidade interna que tem atravessado. O BES, o banco português com melhores resultados no ano de 2007 viu o seu lucro aumentado em 44% em relação ao ano anterior, atingindo assim os 607 milhões de euros!!
Eu estava a ser irónica quando falei num país próspero com muito dinheiro, mas pelos vistos esse dinheiro existe, deve é estar muito mal distribuído.
Como são estes números astronómicos (nem consigo imaginar quanto serão ao certo 2668,2 milhões de euros) possíveis num país onde há anos se ouve falar em crise, onde as poupanças dos portugueses diminuem de ano para ano e a economia pouco ou nada cresce. Mas como conseguem os bancos a proeza de a cada ano aumentarem os seus lucros? É simples, está cientificamente provado e tem um nome simples: tudo é alcançado através do Efeito Sanguessuga, também conhecido como “chulice”. Isto no fundo consiste em conceder juros baixíssimos pelos depósitos, num aumento exponencial dos juros cobrados pelos empréstimos, em campanhas agressivas para a concessão de empréstimos (já concedem empréstimos para tudo e mais alguma coisa, e como a vida está difícil e os portugueses pouco ou nada conseguem poupar lá têm de pedir empréstimos se querem comprar algo que fuja ao que é normal no seu orçamento), e não esqueçamos, pois estas constituem uma importante fonte de receita para os bancos, as taxas e comissões que nos cobram por qualquer movimento que façamos.
E como se não bastasse já as comissões disto e daquilo, e as taxas de não sei mais do quê que nos cobram ou roubam, querem além disso implementar (e ainda por cima com o aval da U.E.) uma taxa para cada levantamento efectuado no Multibanco. É preciso descaramento! Então eu trabalho um mês inteiro para receber o meu bem merecido ordenado, e cada vez que eu quiser usufruir desse dinheiro que é MEU através do Multibanco vou ter de pagar. Mas pagar o quê? Se me estivessem a emprestar dinheiro tudo bem, mas não, o dinheiro é meu e apenas está depositado numa conta em vez de estar guardado debaixo do colchão; porque não é com certeza pelo que o dinheiro rende que as pessoas deixam o dinheiro no banco! Ainda por cima se tivermos em consideração que os bancos pouparam milhões com a invenção do Multibanco visto que esta se traduziu num grande diminuição de pessoal para atendimento ao balcão, ainda é mais ridículo.
Até há quem diga que esta medida até pode vir a prejudicar os bancos, uma vez que as pessoas podem simplesmente voltar a entupir os balcões o que os pode obrigar a admitir mais pessoas. Mas digam-me lá quem é que tem possibilidades de ir ao banco quando a maioria dos balcões estão abertos das 08h00 às 15h00? A essa hora a maioria das pessoas ou está a caminho do trabalho ou então está mesmo a trabalhar.
Como se tudo isto já não bastasse verifica-se que este é o sector bancários é dos que menos impostos pagam sobre os lucros obtidos. Os bancos pagam uma taxa efectiva de IRC sobre os lucros que ronda os 18%, enquanto que o sector têxtil (que está claramente em crise e no qual existem cada vez mais empresas a declarar falência e a despedir pessoal) paga uma taxa de 22%. Qual é a lógica disto? Não deveriam os que têm mais dinheiro e maiores lucros pagar mais do que os outros?
Com tudo isto é natural que os lucros cheguem àqueles valores astronómicos. Não há nada contra os bancos e as empresas em geral tenham lucro, até porque de outra forma não valeria a pena existirem mas os bancos abusam. E o pior é que são sempre os mesmos a pagar. E no fundo andamos a trabalhar para contribuir para o enriquecimento de uns poucos. Esta situação não é nada justa.
O que também não é justo e incorrecto é o facto de os bancos quando se enganam e tiram dinheiro das contas das pessoas demorarem o tempo que eles bem entenderem a repo-lo no seu devido lugar. Entretanto, fazem deste o que lhes apetecer sem que o seu titular tenha qualquer contra partida pelo uso indevido do seu dinheiro. Ora se por acaso roubarmos uma carteira a alguém e usarmos o dinheiro que esta contem, mesmo que depois o cheguemos a devolver, constitui um crime de furto logo sujeita-mo-nos às leis vigentes. Os bancos por seu lado, não têm este tipo de preocupação. Imaginemos que estes resolvem retirar 1€ a 10000 contas seleccionadas aleatoriamente, o que equivale em termos monetários a 10000€; podem utilizar este dinheiro como investimento e daí obter lucros. Uma semana mais tarde devolvem o dinheiro aos clientes desculpando-se com um erro no sistema informático.
Enfim, da forma como o mundo está já não custa acreditar em esquemas deste tipo.

